W3C na mídia em 2008
Veículo: Revista Webdesign
Data: 01/02/2008
Todo mundo sabe da existência de padrões para o desenvolvimento de projetos na web. Então, por que a sua efetiva aplicação ainda não é um favor tão comum no mercado brasileiro? A resposta parece seguir no caminho da conscientização.
O ano de 2008 promete uma grande evolução neste sentido. Isso porque o W3C (Consórcio Mundial da Internet - The World Wide Web Consortium) decidiu instalar no país seu primeiro escritório na América Latina.
Os projetos são ambiciosos. Além de disseminar pelo país a importância no uso de suas diretrizes, o consórcio pretende que o Brasil assuma um papel de protagonista, e não de mero replicador, no debate e no desenvolvimento de novos padrões.
Quem revelou os planos foi Vagner Diniz, gerente do escritório Brasil do W3C (http://www.w3c.br/), na entrevista que você confere a seguir.
Revista Webdesign: Ao ouvir falar em W3C, muitos profissionais relacionam a sigla com os padrões web. Quais são os principais objetivos deste consórcio na evolução da internet?
Vagner Diniz: O W3C é responsável por disseminar a cultura de adotação de padrões como vetor do desenvolvimento pleno da web a longo prazo, garantindo competividade, interoperabilidade e acessibilidade.
Ele é um consórcio internacional totalmente dedicado à produção de padrões para desenvolvimento na web. Todos esses padrões para desenvolvimento na web. Todos esses padrões são construídos com participação das instituições membros, mais uma equipe de tempo integral e especialistas convidados.
Sua missão é levar a World Wide web ao seu máximo potencial por meio de padrões e recomendações, que garantam o crescimento de longo prazo da internet. Desde 1994, já publicou mais de 90 padrões, chamados "W3C Recommendations".
Revista Webdesign: No final de outubro do ano passado, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) anunciou a instalação do primeiro escritório do W3C na América Latina. Quais foram os principais motivadores que levaram os país a ser escolhido para sediar um ponto oficial do consórcio na região?
Vagner Diniz: O Brasil foi escolhido para sediar um escritório W3C por estar entre os mais importantes países emergentes na economia global. Segundo relatório do banco de investimento Goldman & Sachs (http://www2.goldmansachs.com), as economias dos países do chamado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) vão superar os países mais ricos do mundo.
Adicionalmente, foi muito relevante na escolha do Brasil, o fato de termos uma taxa de crescimento do uso da internet significativa e um mercado de mais de 100 milhões de usuários de aparelhos celulares, para onde o uso da internet vai certamente crescer com as novas tecnologias 3G.
Revista Webdesign: Outro aspecto importante deste anúncio está relacionado com o envolvimento de CGI.br. Por que o Comitê decidiu investir na implementação de um escritório do W3C no país?
Vagner Diniz: Essa iniciativa se insere nas ações do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) de elaboração de propostas, políticas e modelos para guiar o crescimento da internet brasileira.
Faz parte de suas atribuições (http://www.cgi.br/sobre-cg/definicao.htm) a proposição e a recomendação de procedimentos e padrões para a internet no Brasil. É também preocupação do CGI.br e de seu braço executivo, o NIC.br, o pleno desenvolvimento da internet no país, o que coincide com a missão do W3C.
Revista Webdesign: Além do estímulo na adoção dos padrões, quais são os outros projetos do escritório brasileiro?
Vagner Diniz: Entre as atividades mais relevantes do escritório brasileiro do W3C estão a publicação em português das principais recomendações e a criação de um fórum amplo para a discussão de padrões para web.
Também se pretende ainda identificar excelências na área de padronização para que o Brasil possa ser protagonista na discussão internacional na definição de padrões e não meramente um país que aceita padrões vigentes.
Queremos participar e temos condições de contribuir principalmente em três áreas: web na TV digital, que logo acontecerá, web nos dispositivos móveis (como celular e PDAs), e os padrões de acessibilidade. Diversos sites brasileiros têm avançado nesse tema.
Revista Webdesign: Após dois meses de instalação do escritório, quais foram as primeiras ações realizadas no mercado brasileiro?
Vagner Diniz: A primeira ação foi a criação da home page na internet, em português (http://www.w3c.br), para abrir o primeiro canal de contato com os interessados. Alguns textos estão em processo de tradução e acabamos de liberar cerca de 60 documentos que já haviam sido traduzidos para o português por voluntários.
Agora, estamos na fase de contatos com universidades, governo e empresas privadas para organizarmos um fórum permanente de pessoas e instituições interessadas em contribuir no desenvolvimento de ações sistematizadas em torno de padrões web, tanto no plano nacional quanto nos fóruns internacionais de discussão.
Revista Webdesign: No anúncio oficial da instalação do escritório no país, ficamos sabendo que "a principal missão da entidade é estimular o mercado brasileiro a adotar padrões internacionais e abertos no desenvolvimento de aplicações voltados para a internet". Como o W3C enxerga a adoção dos padrões nos principais projetos de internet no país?
Vagner Diniz: A adoção de padrões no desenvolvimento web pela indústria é uma questão de plena compreensão das vantagens de adotá-los. Isso exige um esforço de conscientização. Portanto, é um trabalho de longo prazo.
Revista Webdesign: Um assunto que envolve grande debate entre os profissionais web é uma suposta entre os profissionais web é uma suposta existência de limites para a criação e o desenvolvimento de sites seguindo os padrões. Diante da experiência da W3C neste mercado, quais seriam os principais obstáculos para a disseminação no uso de padrões recomendados pelo consórcio?
Vagner Diniz: O principal obstáculo é a falta de compreensão das vantagens. Jeffrey Zeldman, um dos mais famosos desenvolvedores web do mundo, afirma que desenvolver sem considerar padrões é não pensar na evolução futura da tecnologia, que acontece toda sobre padrões internacionais.
Revista Webdesign: Aproveitando este assunto, que tipo de benefícios uma empresa passa a ter ao desenvolver projetos de internet através do padrões de desenvolvimento recomendados pelo W3C?
Vagner Diniz: A cultura de padrões abertos facilita que as indústrias de software, aplicações e soluções para a web sejam mais competitivas e menos monopolistas. Isso é bom para a indústria e para o mercado em geral, que contará com softwartes intercomunicáveis e interoperáveis.
Os padrões recomendados pelo W3C garantem a competitividade, a interoperabilidade, a acessibilidade e a expansão e a durabilidade das aplicações em longo prazo, pois as ferramentas também evoluem com base nesses padrões.
Grandes empresas líderes do mercado na produção de novas tecnologias, como Microsoft, Adobe, Oracle, Google e IBM, fazem parte do corpo de filiados ao W3C (são 437 membros).
Revista Webdesign: Em janeiro de 2007, publicamos um especial sobre a realidade dos padrões web na internet brasileira. Na entrevista, o professor Everaldo Bechara, pós-graduado pela COPPE/UFRJ, apontou que as recomendações do W3C, envolvendo (X)HTML e CSS, eram as principais adotadas pelos profissionais e agências brasileiras. Como o consórcio analisa esta informação?
Vagner Diniz: Mesmo sem a existência do escritório Brasil, já havia uma consciência de alguns setores para a adoção de padrões no desenvolvimento web.
Contatos feitos com diversos setores no país mostram que há crítica importante que já lida com o tema de padrões.
Não estamos inventando nada novo, só queremos ajudar a organizar as ações de uma maneira sistemática, determinada e permanente.
Revista Webdesign: Em 2004, o governo brasileiro publicou um decreto dando um prazo de dois anos para que os órgãos municipais, estaduais e federais adequassem seus ambientes digitais com as recomendações de acessibilidade, sendo que está é uma das principais diretrizes do W3C. Quais são as vantagens e as desvantagens do envolvimento governamental para a adoção dos padrões na internet brasileira?
Vagner Diniz: O decreto-lei 5296/2004, do Governo Federal, "estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade", utilizando-se, assim, de padrões do W3C.
Porém, o Governo não participa ainda da elaboração desses padrões, mas o fato de recomendar padrões W3C é relevante como reconhecimento da importância das atividades do consórcio mundialmente.
Por outro lado, as recomendações podem ser seguidas por quaisquer pessoas ou instituições, independentemente da orientação governamental. Essa é uma das grandes vantagens das nossas ações: a evolução dos padrões não estar condicionada a adesão dos Governos. Mas o peso institucional deles faz uma diferença significativa na consolidação do uso de padrões.
Revista Webdesign: Atualmente, o consórcio conta com mais de 400 membros espalhados pelo mundo. Existe algum plano para incentivar a associação de empresas brasileiras? Quais são os principais benefícios no ingresso ao W3C?
Vagner Diniz: Em breve, vamos iniciar uma companha de filiação e o W3C oferece os seguintes benefícios:
Revista Webdesign: Para quem busca se aprimorar nos padrões homologados pelo W3C, quais são as principais dicas que o consórcio traz para este profissional?
Vagner Diniz: Não há outro caminho a não ser a leitura das recomendações do W3C nas áreas de interesse de cada um. Nosso site possui tutorias e FAQs que ajudam a entender melhor a rica e vasta produção de conteúdo da organização.
Revista Webdesign: Quais são os principais planos do escritório brasileiro para o ano de 2008?
Vagner Diniz: As ações do W3C para 2008 estão baseadas em quatro pilares:
Webmaster · Última atualização: 1/04/2008
10:00AM
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